ECOTECE - VESTIR CONSCIENTE
Varais de Lençóis é um projeto composto por fotografias e textos, os quais documentam a cultura da cidade de Lençóis (BA), por meio dos varais, das pessoas e da relação entre eles no espaço social. A autoria é de Ana Cândida Zanesco e Aline Daher.
Quem são as pessoas por trás das roupas no varal?
A primeira resposta a esta pergunta foi um registro fotográfico dos varais na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, e um acompanhamento das pessoas por trás daquelas roupas expostas no varal, em suas casas, em suas atividades cotidianas, na pequena cidade do interior da Bahia, através de métodos da antropologia.
Hoje, o Ecotece vem aumentando a perspectiva do olhar frente a esta pergunta, pois está conhecendo profundamente os diferentes grupos de pessoas por trás de uma roupa exposta no varal: o agricultor que cultiva o algodão, o motorista que transporta o produto, a pessoa responsável pela máquina descaroçadeira do algodão, a pessoa responsável pela máquina no processo de fiar a fibra, as pessoas da tecelagem, os designers, as pessoas do corte, as costureiras, as bordadeiras, a pessoa que embala o produto final, os vendedores e por aí vai.
São muitas as pessoas por trás de uma simples roupa no varal. O ato de vestir é tão rotineiro que são poucos os que param para pensar que aquela roupa prontinha, tecida, colorida, está repleta do valor de tantas e quantas mãos.
Em Varais de Lençóis é dito que o varal é a bandeira de cada família. No Ecotece é dito que a roupa é a bandeira de cada pessoa. Mais uma das conexões do tecido da vida.
Segue um trecho de Varais de Lençóis:
HISTÓRIAS AO VENTO
Em quadrados de imagens, uma proposta: a possibilidade de um olhar peculiar sobre os varais de roupas. Um exercício de reflexão a partir do lugar que se ocupa; e nos dias de hoje não há quem não tenha um varal para, aqui, se identificar.
Roupas molhadas esperam vento, esperam sol. Homens e mulheres esperam roupas secas. Ciclo renovável de uso diário, de vida vivida, de pessoas vestidas.
Lençóis, na Chapada Diamantina, é um pedaço vivo de Brasil intenso. Um microcosmo brasileiro, onde o valor funcional do varal se agrega ao valor cultural quando o espaço para a vivência humana esgota-se em possibilidades de ocupação. O varal é o primeiro a ultrapassar os limites espaciais da casa, ora indo para o meio da rua, para a calçada, ora ocupando o terreno baldio ao lado ou à frente e, em muitas vezes, apoderando-se das pedras à beira rio. E assim, o privado se mescla ao público no momento em que a rua e o rio, juntamente aos carros e cidadãos, são espaços para o varal, para as roupas íntimas ou preferidas.
Em uma visão metafórica podemos dizer que o varal é a bandeira de cada família e a bandeira é, em si, um pedaço de pano, com uma ou mais cores, com legendas, que se hasteia e serve como distintivo de identidade.



